terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Chanucá

Chanucá
Ano após ano, à época de Chanucá, as luzes são acesas em todos os lares judaicos para celebrar os acontecimentos daqueles dias, com cânticos de louvor a D'us. assim, os caminhos de Israel são iluminados pela mensagem eterna: "a luz espiritual de Israel nunca será apagada".

A festa de Chanucá inicia-se no dia 25 de Kislev à noite, e o acendimento das velas vai até 3 de Tevet à noite. Desde a histórica vitória dos macabeus sobre os assírios, ocorrida em 165 a.E.C., os judeus celebram Chanucá durante oito dias. A festividade comemora a preservação do espírito de Israel. Assim sendo, celebra-se Chanucá apenas espiritualmente, não havendo outros mandamentos a respeito. Além disso, durante os oito dias da festa, é proibido qualquer forma de luto público ou jejum, podendo-se, no entanto, trabalhar.
A chanuquiá - candelabro de oito braços especial da festividade - deve ser acesa diariamente após o aparecimento das estrelas, com exceção da véspera do Shabat, quando deve ser acesa antes do pôr-do-sol. Qualquer material incandescente pode ser usado para acendê-la, mas deve-se preferir a luz intensa do azeite ou de velas de cera ou parafina, grandes o bastante para permanecer ardendo no mínimo por meia hora. Por isso, se uma vela apagar durante esse tempo - com exceção da noite de Shabat, recomenda-se reacendê-la. Num lugar de destaque, no candelabro, há uma outra vela auxiliar, de preferência de cera, chamada shamash. Algumas comunidades usam o shamash para acender as demais velas; outras, uma vela adicional.
Na sexta-feira à noite, véspera do Shabat, as velas devem ser acesas antes do pôr-do-sol e antes das velas de Shabat. Nesse dia devem ser usadas velas maiores, para que ardam até meia-hora após o início do Shabat. Na noite seguinte, as velas de Chanucá só podem ser preparadas e acesas após o término do Shabat e da Havdalá.
Na primeira noite, acende-se a vela da extrema direita e, em cada noite subseqüente, acrescenta-se uma nova do lado esquerdo à primeira e, assim, sucessivamente. A 1ª vela a ser acesa é sempre a nova, procedendo-se da esquerda para a direita.
Na segunda noite, por exemplo, acendem-se duas. A primeira vela deve ser colocada do lado direito da chanuquiá e a segunda é adicionada à esquerda da primeira. Durante os oito dias, uma nova luz é adicionada, noite após noite, até completar as oito. Por ter um propósito sagrado, a luz da chanuquiá não poderá ser usada para nenhum outro fim, como trabalho ou leitura. Todos os membros da família devem estar presentes na hora do acendimento das velas. Desde que possam segurar as velas com segurança, as crianças têm o mérito de participar, acendendo-as após ter sido acesa a primeira vela da noite.
As mulheres têm a mesma obrigação; portanto, em um lugar onde só haja mulheres ou se o marido estiver viajando ou chegar tarde demais, cabe a elas acender as velas e pronunciar as bênçãos.
Nossos sábios enfatizavam a importância da participação feminina na cerimônia, pois grande parte da milagrosa vitória militar dos judeus sobre seus inimigos se deve a Yehudit. Rabi Yehoshua Ben-Levi diz: "As mulheres são obrigadas a cumprir a mitzvá de Chanucá, pois elas também são parte do milagre". Quando o povo de Israel não vivia disperso, as luzes eram acesas na parte externa das casas, à esquerda de quem entra, ou seja, em frente à mezuzá.
Atualmente, há vários costumes sobre onde colocar a chanuquiá. Alguns a colocam sobre uma mesa, na janela que dá para a via pública, ou no lado esquerdo da porta de entrada, em frente à mezuzá. Outros a colocam em lugar especial, na sala. Deve ser colocada em uma altura entre três e dez palmos do chão, porém não a mais de 9,6 metros, em lugar especial, isolado e de destaque.
Nas sinagogas, onde também se acendem as velas para disseminar as lições do milagre, a chanuquiá deve estar na mesma posição do candelabro do Templo de Jerusalém. Mas o acender das velas na Casa de Orações não nos exime da obrigação de acendê-las em casa.

Todas as noites, acende-se primeiro o shamash, depois pronunciam-se as seguintes bênçãos:
Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu lehadlic ner Chanucá.

Bendito sejas Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificaste com Teus mandamentos, e nos ordenaste acender a vela de Chanucá.


Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, sheassá nissim laavotênu, bayamim hahêm, bazeman hazê.

Bendito sejas Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que fizeste milagres para nossos antepassados, naqueles dias, nesta época. 


Na primeira noite, depois de recitar as duas bençãos recita-se o shehecheyánu: 


Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, shehecheyánu vekiyemánu vehiguiyánu lazeman hazê.

Bendito sejas Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que nos deste vida, nos mantiveste e nos fizeste chegar até a presente época. 


Na segunda noite e em todas as outras subseqüentes recita-se:


Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, asher kideshánu bemitsvotav, vetsivánu lehadlic ner Chanucá.

Bendito sejas Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que nos santificaste com Teus mandamentos, e nos ordenaste acender a vela de Chanucá.



Baruch Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech haolam, sheassá nissim laavotênu, bayamim hahêm, bazeman hazê.

Bendito sejas Tu, A-do-nai, nosso D-us, Rei do Universo, que fizeste milagres para nossos antepassados, naqueles dias, nesta época.


Em seguida, acendem-se as velas da chanuquiá com o shamash.

Após acender as velas, coloca-se o shamash à esquerda da chanuquiá, de modo que fique mais alto do que as chamas da chanuquiá, e recita-se:


Hanerot halálu ánu madlikim al hanissim veal hapurkan veal haguevurot veal hateshuot, veal haniflaot, sheassíta laavotênu, bayamim hahêm, baeman hazê, al yedê cohanêcha hakedoshim. Vechol shemonat yemê Chanucá, hanerot halálu côdesh hem, veen lánu reshut lehishtamesh bahen êla lir'otan bilvad, kedê lehodot lishmecha, al nissêcha, veal nifleotêcha, veal yeshuotêcha. 


Acendemos estas luzes em virtude das redenções, milagres e feitos maravilhosos que realizaste para nossos antepassados, naqueles dias, nesta época, por intermédio de Teus sagrados sacerdotes. Durante todos os oito dias de Chanucá, estas luzes são sagradas, não nos sendo permitido fazer qualquer uso delas, apenas mirá-las, a fim de que possamos agradecer e louvar Teu grande nome, por Teus milagres, Teus feitos maravilhosos e Tuas salvações.
Perguntas e respostas sobre As Luzes de Chanucá
A que horas devemos acender as velas de Chanucá?
As luzes devem ser acesas após anoitecer. Algumas autoridades aconselham acendê-las logo do pôr do sol. Outras, de 13 a 40 minutos mais tarde. Entretanto, se alguém não tem a possibilidade de acendê-las depois do anoitecer, pode fazê-lo antes, com a condição de que as velas fiquem acesas durante pelo menos meia hora depois da saída das estrelas.

Onde devemos colocar a chanuquiá?
O Talmud ensina que a chanuquiá deve ser colocada ao lado da porta de entrada, de tal forma que fique do lado esquerdo da pessoa que estiver entrando na casa. A mezuzá fica do lado direito.
Atualmente, costuma-se colocar a chanuquiá dentro de casa, sobre uma mesa, em lugar especial. Em certas comunidades a mesa, é colocada perto de uma janela, de frente para a rua, para cumprir com o mandamento de propagar o milagre . Em outras, no lado esquerdo da porta de entrada, frente à mezuzá. Ou, ainda, há quem coloque a chanuquiá em uma mesa baixa para que as crianças alcancem as velas.

Há alguma lei que determine que a mulher ou o homem deva acender a luz de Chanucá?
Todas as pessoas devem cumprir o preceito de acender as velas, portanto mulheres e homens são igualmente obrigados a acender as luzes de Chanucá.

Podemos ler aproveitando a luz da chanuquiá?
Não. As velas da chanuquiá não podem ser usadas para nenhum outro propósito, senão o de propagar o milagre de Chanucá. Assim, não podemos, por exemplo, jantar aproveitando a luz da chanuquiá.

É verdade que não se pode trabalhar enquanto as luzes estiverem ardendo?
Nossa atenção deve estar centrada na luz durante a meia hora em que ardem as velas. Por isso, as mulheres costumam não fazer tarefas domésticas durante o tempo obrigatório do acendimento das velas.

Podemos acender as demais luzes com uma das luzes da chanuquiá?
É proibido usar uma luz que representa uma noite de Chanucá para acender as demais ou para qualquer outro propósito. Para isto, utiliza-se o shamash.

O que fazer se uma das luzes da chanuquiá se apagar ? 
Depende do local onde a chanuquiá estiver e se é shabat. Se o lugar onde colocamos a chanuquiá é o adequado, já que a mitzvá é o ato de acender as velas, e uma delas se apagar depois da bênção, não há necessidade de reacendê-la. Mas se o lugar onde foi colocada a chanuquiá não é um local adequado, somos obrigados a reacendê-la. No shabat não podemos reacendê-la.

O que fazer se a luz do shamash se apagar? 
Se não for shabat, poderá ser reacesa usando fósforos ou outra vela, mas nunca uma das luzes da chanuquiá.

Podemos apagar as luzes da chanuquiá?
Sim, após estas ficarem acesas o tempo mínimo,ou seja, meia hora após a saída das estrelas. Só no shabat é proibido apagá-las.

Na sexta-feira, quando temos que acender as velas?
Na sexta-feira à tarde, logo antes de acender as velas de shabat. Como precisamos acendê-las 18 minutos antes do início do shabat, é melhor usar naquele dia velas maiores para a chanuquiá, para que durem pelo menos meia hora após a saída das estrelas.

E no sábado? Acende-se antes ou depois da Havdalá? 
A maioria das autoridades rabínicas recomenda acender a chanuquiá após a Havdalá, já que esta é o término do Shabat. Em cada lar, deve-se acender a chanuquiá depois da Havdalá. Somente na sinagoga a chanuquiá pode ser acesa antes da Havdalá.

Oito considerações para os oito dias de Chanucá

Oito considerações para os oito dias de Chanucá
Há 22 séculos, quando a Terra de Israel estava sob ocupação do Império sírio-grego, o Rei Antíoco IV emitiu uma série de decretos malignos para subjugar e humilhar o Povo Judeu, visando A forçá-lo a abandonar o Judaísmo e A abraçar o helenismo. Antíoco proibiu o estudo da Torá e o cumprimento de muitos de seus mandamentos, e ergueu uma estátua de uma divindade grega no Templo Sagrado de Jerusalém.
Edição 98 - Dezembro de 2017

Em resposta aos cruéis decretos de Antíoco e seu empenho de extirpar o Judaísmo, um grupo de judeus intrépidos, os Macabeus, enfrentou as forças sírio-gregas, superpotência da época. Após três anos de guerra, os Macabeus tiveram uma vitória espetacular contra o exército mais poderoso da Antiguidade. Após vencer Antíoco e seus exércitos, libertaram Jerusalém, reinauguraram o Templo Sagrado e reacenderam a Menorá – o candelabro de sete braços –, valendo-se apenas de um jarro de azeite de oliva ritualmente puro encontrado em meio aos escombros. Todos os outros jarros de azeite ritualmente puro para o serviço no Templo, que levavam o selo do Cohen Gadol, o Sumo Sacerdote, tinham sido propositalmente profanados pelos sírio-gregos.
Esse único jarro continha azeite que daria para acender a Menorá durante um único dia – e eram necessários oito para produzir mais azeite ritualmente puro. Os Macabeus usaram esse jarro; mas o azeite, milagrosamente, ardeu durante oito dias – o prazo necessário para que fosse produzido mais azeite ritualmente puro.
Para comemorar esses dois milagres – o azeite e a vitória dos Macabeus –, celebramos a festa de Chanucá durante oito dias. O triunfo militar desses valentes judeus foi, como dizemos em nossas orações, uma vitória dos poucos contra os muitos, dos fracos contra os fortes. O profeta Zechariah resumiu o acontecimento de forma poética: “‘Não pelo poder nem pela força, mas pelo Meu Espírito’, diz o Eterno”. O milagre do azeite que se seguiu à vitória militar foi um sinal Divino de que os judeus tinham vencido a guerra apenas porque o Eterno, D’us Todo Poderoso, tinha operado milagres em seu favor. O suprimento de azeite para um dia milagrosamente ardeu durante oito não apenas porque esse era o mínimo tempo necessário para produzir azeite ritualmente puro, mas porque, segundo a Torá, o número oito representa o sobrenatural, o milagroso. Esse fenômeno sobrenatural assinalava que a Divina Providência possibilitara o triunfo dos Macabeus, ainda que eles não tivessem nem a força nem o poder nem os armamentos nem os homens para vencer a máquina de guerra sírio-grega. Essa vitória militar significou a sobrevivência do Judaísmo e, por conseguinte, do Povo Judeu. A festa de Chanucá, portanto, não é apenas a celebração de milagres. Comemora, também, a eternidade da Torá e do Povo de Israel.
Este ano, Chanucá se inicia em uma terça-feira à noite, 12 de dezembro de 2017. Na primeira noite da festa, acendemos um jarro de azeite ou uma vela; na segunda noite, duas; na terceira, três, e assim por diante. Na oitava e última noite, acendemos todos os oito jarros de azeite ou velas da Chanuquiá – o candelabro de oito braços reminiscente da Menorá de sete braços do Templo Sagrado de Jerusalém.
Chanucá é uma das festas judaicas mais apreciadas. Suas luzes são queridas não apenas para o Povo Judeu, mas para muitas pessoas de outras religiões. Uma Chanuquiá é acesa na Casa Branca e no Kremlin e líderes políticos do mundo todo, inclusive do Brasil, a acendem. Chanucá é reconhecida de forma ampla porque seus temas e lições são atemporais e universais. São relevantes não apenas para o Povo Judeu, mas para todas as pessoas de bem no mundo. Suas luzes nos ensinam que cedo ou tarde, a luz triunfa sobre a escuridão, a bondade sobre a maldade, a justiça sobre a iniquidade e a santidade sobre o profano.
Chanucá e suas luzes transmitem inúmeras mensagens e lições. Preparamos, pois, oito considerações sobre Chanucá – uma para cada um dos oito dias da Festa das Luzes.
1º dia - Chanucá na Torá
Chanucá e seus mandamentos não são mencionados explicitamente na Torá, pois os eventos comemorados na festa ocorreram mais de 1.000 anos após D’us ter dado a Torá ao Povo Judeu. Moshé terminou de transcrever o Pentateuco – os Cinco Livros da Torá – no ano de 2488 após a Criação (ano de 1273 AEC no calendário gregoriano), e os milagres de Chanucá ocorreram nos anos de 3621-3622 (ano de 140-139 AEC no calendário gregoriano). No entanto, D’us, que é Onisciente e acima do tempo e de todas as demais limitações, incluiu alusões à Chanucá na Torá. Isso não surpreende, pois a Torá é o projeto de toda a Criação: todo evento de maior ou menor porte – já ocorrido ou que um dia ocorrerá – tem fundamento ou alusão no Pentateuco.
Seguem-se algumas das alusões à Chanucá encontradas nos Cinco Livros da Torá:
• A 25a palavra na Torá é Or, “luz”. Começamos a acender as luzes de Chanucá na noite do 25o dia do mês judaico de Kislev.
• Durante a jornada de 40 anos dos judeus pelo deserto a caminho da Terra Prometida, eles acamparam em diversos lugares. O 25º lugar era chamado Chashmoná. Isso é uma alusão à família de sacerdotes, os Chashmonayim, que lideraram os Macabeus na luta contra os sírio-gregos.
• O 23o capítulo de Levítico, terceiro livro da Torá, descreve os vários feriados judaicos. Logo a seguir, no início do capítulo 24, vemos o mandamento de acender a Menorá. Isso é uma alusão à Chanucá – nossa festividade ligada ao acendimento da Chanuquiá - a Menorá de oito braços.
• O capítulo 7 de Números, quarto livro da Torá, descreve as oferendas trazidas pelos líderes das tribos após a inauguração do Mishkan – o Tabernáculo. O capítulo 8 se inicia com as seguintes palavras: “O Eterno falou a Moshé, dizendo: ‘Fala a Aaron e diz-lhe: Quando acenderes as luzes, faz de modo que as sete luzes iluminem a luz central da Menorá’ ”. Vemos, aqui, uma conexão entre a inauguração do Tabernáculo – que foi o predecessor do Templo Sagrado de Jerusalém – e o acendimento da Menorá. Na história de Chanucá, depois que os Macabeus venceram a guerra, os judeus restauraram e reinauguraram o Templo Sagrado, novamente acendendo a Menorá.
Além disso, o Midrash nos ensina que após ser inaugurado o Tabernáculo, D’us ordenou que cada líder de tribo trouxesse uma oferenda. Uma tribo foi excluída – a de Levi. D’us ordenou a Aaron, o primeiro Sumo Sacerdote e chefe da tribo de Levi, que não trouxesse oferenda, mas que acendesse a Menorá. D’us instruiu Moshé a dizer a seu irmão Aaron que não se aborrecesse com o fato de sua tribo não trazer sacrifícios, já que estes durariam apenas enquanto existisse o Templo Sagrado – ao passo que as luzes da Menorá continuariam a ser acesas por todo o sempre. A mensagem de D’us a Aaron aludia às luzes da Chanuquiá, que são uma recordação das luzes da Menorá do Templo. E de fato, já transcorreram quase 2.000 anos desde que foram interrompidos os serviços de sacrifício, mas as luzes da Chanuquiá, remanescentes diretas da Menorá, nunca deixaram de brilhar. Apesar da ausência do Templo Sagrado de Jerusalém, elas continuam a iluminar a escuridão que há no mundo.
2º dia – As 36 velas de Chanucá
Este ensinamento provém dos escritos de um gigante espiritual, Cabalista, o Rabi Levi-Yitzchak Schneerson, pai do Lubavitcher Rebe.
Durante a festa de Chanucá, acendemos um total de 36 luzes: 1 +2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8. Esse número não é acidental – como nada na vida o é, especialmente em assuntos diretamente relacionados à Torá. Rabi Levi-Yitzhak Schneerson revela um profundo significado desse número, associado a um dos principais temas de Chanucá.
Está escrito na passagem Al Hanissim, recitada na oração da Amidá e no Bircat Hamazon durante os oito dias de Chanucá, que os sírio-gregos se empenharam em “Fazer [Israel] esquecer a Sua Torá”.
Em sua tentativa de fazer com que isso acontecesse, os sírio-gregos visaram à Torá Oral, que explica e elucida a Torá Escrita. Os invasores perceberam que a própria Torá Escrita, tão amplamente documentada em milhares de rolos, jamais seria esquecida. Sua estratégia foi, então, erradicar todos os vestígios da Torá Oral, que era preservada e transmitida oralmente de uma geração à outra. Sem a Torá Oral, é impossível entender corretamente a Torá Escrita e cumprir seus mandamentos. Os sírio-gregos perceberam que se conseguissem fazer o Povo Judeu esquecer a Torá Oral, o fim do Judaísmo seguir-se-ia.
Séculos após o milagre de Chanucá, a Torá Oral foi finalmente redigida. Seu núcleo, conhecido como a Mishná, foi editado pelo Rabi Yehudá HaNassi. Nas gerações seguintes, mais conteúdo da Torá Oral foi escrito, formando-se os dois principais corpos da Lei Judaica: um em Israel, o Talmud Yerushalmi (Talmud de Jerusalém), e o outro na Babilônia – o Talmud Bavli (Talmud da Babilônia). Este último, em geral mais estudado do que o de Jerusalém, contém comentários sobre exatamente 36 tratados da Mishná, que é o número total de velas acesas durante Chanucá. As 36 velas de Chanucá celebram a sobrevivência da Lei Oral, que foi transcrita e preservada nos 36 tratados do Talmud Bavli.
Há outra conexão entre Chanucá e a Torá Oral. O editor do Talmud Bavli foi Rav Ashi, cujo nome é foneticamente ligado a Esh, palavra em hebraico para “fogo” – o veículo para a celebração de Chanucá.
Pode-se traçar uma terceira conexão entre as 36 velas de Chanucá e a Torá Oral. Os principais guardiães da Torá Oral eram os 71 membros do Sanhedrin, a Suprema Corte de Israel. Para que qualquer decisão do Sanhedrin fosse obrigatória, era necessário haver uma maioria de, no mínimo, 36 juízes.
Quando acendemos a Chanuquiá, devemos lembrar que estamos fazendo mais do que celebrar uma vitória militar e o milagre do azeite. Estamos celebrando a sobrevivência da Torá Oral, sem a qual a Torá Escrita não pode ser entendida. Sem a Torá Oral, o Judaísmo autêntico não pode sobreviver. As 36 luzes de Chanucá simbolizam, assim, o triunfo e a eternidade da Torá e, por conseguinte, do Povo de Israel.
3º dia – O Povo Judeu é uma Vela Eterna
Nossos Sábios lançam uma pergunta intrigante acerca do mandamento de acender as luzes de Chanucá. Durante as oito noites da festividade, acendemos azeite de oliva ou velas e recitamos a benção “She-assá Nissim La-Avotenu (“Que fez milagres para nossos antepassados”). Mas, qual o milagre que estamos celebrando na primeira noite de Chanucá? O milagre do azeite é o fato de uma quantidade suficiente para apenas um dia ter durado oito. Algo de miraculoso ocorreu do segundo ao oitavo dia, mas era natural que o suprimento encontrado ardesse durante um dia. O fato de o jarro de azeite ritualmente puro ter mantido a Menorá acessa durante o primeiro dos oito dias não constituiu milagre algum – era o esperado. O milagre foi continuar a queimar nos demais sete dias. Por que, então, recitamos a bênção “Que fez milagres para nossos antepassados” na primeira noite de Chanucá?
Uma das respostas é que o milagre celebrado no primeiro dia foi o fato de os Macabeus terem encontrado um jarro de azeite que não havia sido profanado pelos sírio-gregos. Em outras palavras, na primeira noite de Chanucá, celebramos o milagre da “sobrevivência” desse jarro de azeite. De fato, não havia razão para se supor que algo tivesse sobrevivido à profanação sistemática feita pelos sírio-gregos e seus seguidores no Templo Sagrado. No entanto, quando os Macabeus reconquistaram o Templo, insistiram em procurar azeite ritualmente puro, ainda que as chances de encontrar qualquer vestígio fossem mínimas. E por que procuraram, assim mesmo? Porque tinham fé de que mesmo em meio à maior tragédia, algo sobreviveria. E estavam certos. Um jarro de azeite ritualmente puro realmente sobreviveu. Por alguma razão, inexplicável, os invasores não o encontraram.
O milagre celebrado na primeira noite de Chanucá é o da fé pura, total e simples – a fé em que, apesar de toda a destruição perpetrada, algo precioso, sagrado e puro restaria para que dali os judeus pudessem se erguer e começar de novo. Portanto, a primeira noite de Chanucá celebra o próprio fato de um pouco de azeite ritualmente puro ter sobrevivido à destruição. Não era muito – apenas a quantidade para um dia – mas aquilo milagrosamente manteve acesa a Menorá durante oito dias – tempo suficiente para que mais azeite ritualmente puro fosse produzido.
Esse milagre simboliza um dos temas principais na História Judaica. Várias foram as ocasiões na longa e árdua caminhada de nosso povo em que tudo parecia perdido. Uma outra nação teria desistido, em meio ao desespero. O Povo de Israel vivenciou a destruição de dois Templos Sagrados e foi expulso da Terra de Israel. Na Diáspora, foi submetido a perseguições e expulsões constantes, aos massacres dos Cruzados, às fogueiras da Inquisição espanhola, aos pogroms e, acima de tudo, ao Holocausto. Mas, de um modo ou outro, os judeus não desistiram. Não se prostraram e choraram. Juntaram o pouco que restara, reconstruíram nosso povo e brilharam de forma ainda mais vibrante do que antes.
A luz do Judaísmo sempre se recusou a ser apagada. Pelo contrário, sempre que a escuridão ameaça extingui-la, consegue brilhar com intensidade ainda maior. O resultado foi que as maiores catástrofes na História Judaica foram seguidas pelos maiores triunfos do Povo Judeu. O estudo e a disseminação da Cabalá floresceram após a Inquisição na Espanha. O retorno dos judeus à Terra de Israel e a Jerusalém, bem como a disseminação do Judaísmo pelos quatro cantos do mundo, ocorreram pouco após o Holocausto.
As luzes de Chanucá ensinam ao Povo Judeu e a toda a humanidade que o poder do espírito humano de vencer qualquer dificuldade não tem limites. A festa de Chanucá nos faz recordar, repetidamente, que temos que nos recusar a aceitar a derrota.
O jarro de azeite ritualmente puro que sobreviveu à destruição representa o Povo Judeu. Somos uma Ner Tamid – uma Vela Eterna – cuja luz perene não há potência na Terra que possa extinguir.
4º dia - Um choque de civilizações: Atenas versus Jerusalém
É comum ouvirmos, atualmente, a expressão “choque de civilizações”. A história de Chanucá foi um dos primeiros grandes choques de civilizações, travado entre os gregos da Antiguidade e os judeus – entre Atenas e Jerusalém.
Não se pode negar que os gregos produziram uma das civilizações mais extraordinárias na história humana. Seu legado dura até hoje. O mundo, particularmente a Civilização Ocidental, deve muito à Grécia Antiga. Eles geraram filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles; historiadores como Heródoto e Tucídides, e dramaturgos como Sófocles e Ésquilo. Os antigos gregos foram mestres na Arte e na Arquitetura, entre inúmeros outros campos do conhecimento humano. Foram grandes pensadores, linguistas, artistas, intelectuais, desportistas, líderes políticos e guerreiros. Ainda assim, essa superpotência foi vencida por um grupo pequeno de combatentes judeus, conhecidos como os Macabeus e, a partir de então, entrou em declínio. A Grécia Antiga desapareceu para nunca ressurgir. Hoje, vive apenas nos livros de História: os descendentes dos gregos da Antiguidade não mais vivem em Atenas nem em outro lugar qualquer. Por sua vez, o minúsculo Povo Judeu, destituído de seu Lar e perseguido, sobreviveu a 2.000 anos de exílio, perseguições constantes e mesmo genocídio, e hoje vive soberano em sua Pátria ancestral e eterna. Seus filhos brincam, hoje, nas ruas de Jerusalém e falam a mesma língua que os Profetas usavam há 3.000 anos.
Como explicar que um dos maiores impérios de todos os tempos tenha perecido e um povo minúsculo tenha sobrevivido e florescido? As respostas são inúmeras. Uma delas, óbvia, é a Divina Providência. D’us assegurando a eternidade do Povo de Israel é um tema constante em nossas orações e celebrado em nossas datas sagradas, inclusive em Chanucá. Mas há outra resposta que também explica o choque de civilizações entre os antigos gregos e os judeus.
Os gregos antigos, que acreditavam em várias divindades, não acreditavam em um D’us único, que ama e Se preocupa com tudo e todos. A Grécia Antiga deu ao mundo o conceito de tragédia. Para seu povo, os seres humanos nasciam para se empenhar e, às vezes, atingiam a grandeza. Mas para eles a vida não tinha um propósito supremo. De acordo com sua cultura, o Universo desconhecia e não se importava com o destino do homem.
Para o Judaísmo, esse conceito é um anátema. Os judeus ensinaram ao mundo que estamos aqui na Terra porque D’us nos criou com amor. O Judaísmo ensina que D’us está preocupado não apenas com o mundo em sua totalidade, mas também com o destino de cada uma de suas criaturas. O Judaísmo deu à humanidade a ideia de que a vida tem significado e propósito, pois o mundo e todos os que o habitam foram criados e são supervisionados por um Ser Infinito que está intimamente envolvido com absolutamente todos os detalhes de Sua criação.
As civilizações cujos conceitos fundamentais são a tragédia e a futilidade da existência inevitavelmente se desintegram. Povos destituídos de qualquer senso de significado e propósito superiores não possuem as convicções morais das quais depende a continuidade. Aqueles que creem que a vida é fútil e destituída de propósito sacrificam a felicidade em troca do prazer. Vendem o futuro pelo presente. Negligenciam sua alma, que é eterna, e apenas alimentam o corpo, que é temporário. Tais civilizações hedonistas, cedo ou tarde, perdem a paixão, a energia, a sabedoria e a direção que lhes trouxe grandeza. A decadência espiritual inevitavelmente é seguida pelo fim de uma civilização, mesmo de uma tão grandiosa como o foi a Grécia Antiga. Em nítido contraste, o Judaísmo e sua cultura de esperança, propósito e amor, sobreviveram. As luzes de Chanucá são um símbolo dessa sobrevivência.
A Acrópoles de Atenas sobreviveu, mas os antigos gregos, não. O Templo Sagrado de Jerusalém não sobreviveu, mas o Povo Judeu, sim. Os judeus ainda estão nesta Terra por causa da Divina Providência, mas também porque nosso povo sempre acreditou no poder da luz e de tudo o que representa. Chanucá nos ensina que uma vela de esperança pode parecer pouco, mas dela pode depender a própria sobrevivência de toda uma civilização.
5º dia - A Luz da Guerra e a Luz da Paz
Maimônides, o maior filósofo judeu, que produziu uma obra que é um dos pilares da Lei Judaica, escreveu: “O mandamento das luzes de Chanucá é muito precioso. Quem não tem meios de comprar as suas luzes deve vender algo de seus bens ou, se necessário, tomar um empréstimo, para poder cumprir essa mitzvá”.
Uma pergunta: E se em uma tarde de 6a feira, durante a festividade de Chanucá, a pessoa se vê com apenas uma vela? Deve usá-la como vela de Shabat ou de Chanucá? Não dá para usá-la para os dois propósitos. A lógica sugere que deve acendê-la como vela de Chanucá. Afinal, não há lei ordenando que se venda algo ou se tome empréstimo para comprar velas para Shabat. Mas a Lei Judaica dita que em tal situação, deve-se usar a vela para o Shabat e não para Chanucá. Por que seria?
Maimônides explica: “A vela de Shabat tem prioridade porque simboliza Shalom Bait – a paz no lar. E a paz é de suma importância porque toda a Torá nos foi dada para trazer paz ao mundo”.
Chanucá comemora uma das maiores vitórias militares na História Judaica. Até hoje, os Macabeus simbolizam a bravura e a coragem do Povo Judeu. Não fossem os Macabeus, o Judaísmo e, por conseguinte, o Povo Judeu, teriam desaparecido da face da Terra. No entanto, a Lei Judaica determina que se tivermos apenas uma vela às vésperas do Shabat durante a festa de Chanucá, devemos usá-la como vela de Shabat – não de Chanucá. A precedência para o Shabat se deve ao fato de que nem mesmo a maior vitória militar é mais importante do que a paz no lar.
Os antigos gregos foram grandes guerreiros, conquistadores e governantes, mas sua civilização foi extinta. Como o Povo Judeu pôde sobreviver a eles? Entre outras, pelo fato de os judeus darem mais valor a seu lar do que ao campo de batalha. A paz no lar importava muito mais a nossos ancestrais do que as vitórias militares.
Ao celebrarmos Chanucá e comemorarmos os triunfos militares e atos de bravura e heroísmo do Povo Judeu – sejam os dos Macabeus ou dos valorosos soldados do Estado de Israel –, não podemos esquecer que a vitória suprema é vencida não no campo de batalha, mas em nossos lares e em nossas comunidades. O Povo Judeu é singular porque valoriza a vida, o casamento, os filhos e o lar – mais do que as grandes vitórias militares.
Os judeus comprovaram ser capazes de produzir os melhores guerreiros do mundo. Os Macabeus foram soldados determinados e destemidos que, com a ajuda de D’us, venceram uma superpotência militar. Hoje, o Estado de Israel tem as forças armadas mais bem treinadas no mundo. País algum, nem mesmo os Estados Unidos ou a Rússia, tem pilotos, forças especiais, tecnologia militar e serviços de inteligência melhores do que os de Israel. O Estado Judeu não tem outra opção – tem que ser uma superpotência militar, pois se o Holocausto nos deixou alguma lição, esta foi que nós, judeus, temos que nos defender sozinhos. Nosso desejo, no entanto, é formar eruditos e cientistas, não soldados. Contrariamente aos antigos gregos, preferimos viver para nossos filhos e netos do que ter uma morte heroica no campo de batalha.
Há vezes em que a luz da guerra é necessária, como na história de Chanucá e na do Estado de Israel. Mas, quando há opção, a luz da paz é preferível.
6º dia - O terceiro milagre de Chanucá
A festa de Chanucá celebra dois milagres: a vitória militar dos Macabeus e o suprimento de azeite para um único dia ter durado oito. Mas houve um terceiro milagre. Poucos o conhecem. Ocorreu séculos mais tarde.
Após a destruição do segundo Templo Sagrado de Jerusalém, muitos rabinos julgavam que a festa de Chanucá deveria ser abolida. Argumentavam que como Chanucá celebra a reinauguração do segundo Templo Sagrado, deixara de existir uma razão para seguir celebrando-a – já que o Templo havia sido destruído por Roma.
Conta-nos o Talmud que em uma cidade, Lod, Chanucá chegou mesmo a ser abolida. No entanto, o Povo Judeu decidiu que, apesar da destruição do segundo Templo, continuariam a celebrar a festividade. Esse foi o terceiro milagre de Chanucá: a decisão de continuar a celebração apesar da ausência do Beit HaMikdash, o Templo Sagrado.
E por que tomaram essa decisão? Porque, apesar de ter caído a “Morada de nossa Vida”, a esperança judaica continuava de pé. Podíamos ter perdido o Beit HaMikdash – a Morada Divina na Terra –, mas os romanos não nos tinham tirado a lembrança, a esperança e a luz de Chanucá e tudo o que simboliza. Tinha sido destruída uma gloriosa estrutura física, mas seu espírito continuou a viver dentro de cada um dos judeus e dentro de cada uma de nossas sinagogas – que são um Mikdash Me’at – um pequeno Templo Sagrado. Continuamos a celebrar Chanucá 2.000 anos depois do segundo Templo ter sido destruído, porque sabemos que um dia o terceiro Templo Sagrado será construído. Sempre acreditamos que os milagres dos dias dos Macabeus poderiam voltar a acontecer – e de que acontecerão, de fato. As palavras Od Lo Avdá Tikvatenu, “nossa esperança não está perdida”, reverberaram, sem parar, na alma coletiva dos Filhos de Israel nos últimos 2.000 anos: tornaram-se parte do Hino Nacional do Estado de Israel, o Hatikvá (A Esperança), que inspirou o Povo Judeu a voltar ao seu Lar e à sua capital eterna, Jerusalém, onde um dia brilhou majestoso o Templo Sagrado.
Ao acendermos as luzes de Chanucá, devemos lembrar-nos que, apesar da queda do Templo Sagrado e de toda a destruição que nosso povo vivenciou, o Povo Judeu manteve viva a sua esperança, e essa esperança nos manteve vivos como povo. Nunca se deve duvidar do poder da esperança. Ela é mais potente e duradoura que grandes impérios e exércitos. A luz da esperança preservou e sustentou nosso povo mesmo em seus momentos mais difíceis. As luzes de Chanucá despertam o coração e a alma de tantas pessoas porque nos ensinam a nunca perder a esperança.
7º dia - Constante crescimento espiritual
Na primeira noite de Chanucá, acendemos um jarro de azeite ou uma vela. Na segunda, acendemos duas, e na terceira, três. Somente na oitava e última noite de Chanucá acendemos todas as luzes da Chanuquiá. Essa progressão nos ensina que o que importa na vida não é nosso ponto de partida, mas nosso progresso. O que D’us espera de cada um de nós é que cada dia consigamos dar um passo à frente: que possamos produzir mais luz hoje do que ontem e que amanhã possamos brilhar mais intensamente do que hoje.
Ninguém se torna um sábio ou um gigante espiritual da noite para o dia. Isso exige muitos anos de estudo, prática e auto-refinamento. O processo é longo e árduo. Tornar-se mestre em Torá e – ainda mais difícil – tornar-se mestre de si mesmo, requer um empenho e uma bravura enormes. Mas, se avançarmos constantemente – se brilharmos, dia após dia, um pouco mais intensamente –, poderemos atingir alturas inconcebíveis. E para isso basta coragem e determinação de dar o primeiro passo e continuar crescendo. Basta acender uma vela hoje e uma vela adicional amanhã.
Temos que nos empenhar para constantemente subir a Escada de nosso patriarca Jacob, que toca a Terra e alcança os Céus. Não importa quantos atos de bondade um ser humano praticou; não importa quanto da Sabedoria Divina aprendeu e nem quantos atos sagrados e generosos praticou. Ele nunca deve estar satisfeito com suas realizações. Ainda que hoje tenha praticado muitos atos de bondade, amanhã terá que praticar ainda muitos atos mais.
8º dia - Chanucá e a Guerra Mundial Final
Muitas pessoas estão esperando por uma guerra mundial final. Estão convencidos de que o fim do mundo está próximo e temem pelo que o futuro possa trazer. De fato, os Profetas falaram de uma guerra apocalíptica que precederá a vinda do Mashiach. Mas essa guerra final não será travada nos campos de batalha, nem no mar e tampouco nos céus. Não se usarão armamentos avançados ou bombas nucleares. Não será uma guerra entre líderes nem entre nações.
A guerra final que precederá a Era Messiânica será travada no coração de cada pessoa, com os exércitos de seus atos neste mundo. A Guerra Final é a reencenação da batalha espiritual de Chanucá – a batalha da luz contra a escuridão. E nós todos seremos forçados a participar dessa guerra final. Na verdade, quer o saibamos ou não, já a estamos travando. O resultado dessa guerra determinará o destino do mundo, e isso está nas mãos de cada um de nós. Mas não devemos temer seu resultado: D’us nos assegurou por meio de seus Profetas que nós havemos de prevalecer. Venceremos a guerra mundial final. A paz advirá, a escuridão será banida para sempre e a Luz Divina, simbolizada pelas luzes de Chanucá, preencherá o mundo inteiro. Que D’us nos ajude a vencer essa guerra o mais breve possível. Amén, Ken Yehi Ratson.

Simone Veil, um ícone mundial

  • Simone Veil, um ícone mundial
A França ficou de luto em junho deste ano de 2017 ao tomar conhecimento do falecimento de Simone Veil. Judia, sobrevivente do Holocausto, ela ocupou vários postos governamentais, tornando-se um ícone na luta contra a discriminação das mulheres. Empenhada em todas as causas em que acreditava, conquistou os franceses, e sua popularidade ia muito além dos limites da política.
Edição 98 - Dezembro de 2017

A vida de Simone Veil foi turbulenta. Vivenciou épocas de terror e de luto, assim como de amor e de vitórias, sempre demostrando uma dignidade e uma seriedade que incutiam o respeito e admiração de todos em sua volta. Uma pesquisa realizada em 2010 a indicou como a preferida entre as mulheres da França.
Dona de uma força de vontade ímpar aliada a um talento intelectual singular, a força de Simone Veil residia em sua capacidade de adaptação e luta diante dos desafios. Suas tendências políticas dependiam da causa em que estava envolvida. Convidada para o programa L’Heure de Vérité (A Hora da Verdade) para revelar suas tendências políticas, ela se declara “à esquerda em certos assuntos, à direita em outros”. Ao ser eleita para a Academia Francesa, o escritor Jean d’Ormesson, escolhido para dar as boas-vindas, disse: “Contra todas as probabilidades, sem jamais alterar a voz, você conseguiu convencer a todos. Podemos dizer sem presunção, no coração da vida política, você ofereceu uma imagem moral e republicana”.
Apesar de não praticante, Simone jamais negou seu judaísmo. Participou ativamente de várias organizações de sobreviventes do Holocausto e conquistou o respeito internacional por sua atuação para a preservação das memórias das vítimas de Hitler.
Em uma das primeiras reações à sua morte, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou esperar que Simon Veil “possa inspirar, com seu exemplo, os franceses a encontrar o melhor da França”.
Sua vida
A família Jacob tem suas origens em Bionville-sur-Nied, na região da Lorraine. Seu pai, André Jacob, era arquiteto de renome, tendo obtido, em 1919, o segundo grande prêmio de Roma. Ele se casou, em 1922, com Yvonne Steinmetz, filha de um peleteiro também judeu. Após o casamento, Yvonne abandona seus estudos na universidade por exigência do marido. Em sua autobiografia, Simone escreveu que apesar de sua “família ser laica”, “o fato de pertencer à comunidade judaica jamais foi um problema para mim. Essa condição era altamente reivindicada por meu pai”.
Após o nascimento de seus dois primeiros filhos, Madeleine e Denise, o casal trocou Paris por Nice. Nessa cidade, na Riviera Francesa, nasceram seu filho Jacob e, no dia 13 de julho de 1927, Simone. Com a crise de 1929, os projetos arquitetônicos do pai diminuem drasticamente e a família se muda para um apartamento menor. Sua mãe, Yvonne, começa a fazer roupas de tricô para famílias necessitadas.
Simone tinha 10 anos no dia 3 setembro de 1939, quando a França e Grã-Bretanha declararam guerra à Alemanha nazista que havia invadido a Polônia dois dias antes. Exércitos alemães invadiram a França em maio de 1940 e, no dia 14 de junho, tomam Paris. A Itália de Mussolini, que, no dia 10 de junho, entrara na Guerra ao lado do Terceiro Reich, invade o território francês.
A França se rendeu oficialmente no dia 22 de junho, e assina um armistício com Alemanha e Itália. O país é, então, dividido – o norte e a costa do Atlântico, inclusive Paris, ficam sob ocupação nazista, enquanto o sul e o sudeste, a chamada Zona Livre, passam a ter um governo leal à Alemanha, o Regime de Vichy, do marechal Pétain. E uma área do sudeste fica nas mãos da Itália fascista. Milhares de judeus refugiam-se na Zona Livre, inclusive Nice, onde viviam Simone e sua família. Em 11 de novembro de 1942, alemães e italianos invadem o território francês, quebrando o Armistício, e Nice fica sob domínio italiano até 1943.
A Shoá
Os judeus franceses acreditavam estar seguros e que não seriam perseguidos, mas estavam enganados. Os anos seguintes foram de muito sofrimento. A França de Vichy voluntariamente promulga, em 4 outubro de 1940, as primeiras leis contra os judeus. O ‘Statut des Juifs”, que se baseava nas “diretrizes“ nazistas já postas em prática na zona de ocupação alemã, impunha segregação racial e a obrigatoriedade de que os judeus se identificassem como tal junto às autoridades. Eles foram excluídos da vida pública e militar, da indústria e comércio, das profissões liberais e das artes.
André Jacob foi um dos milhares de judeus que obedeceram a determinação de se registrar como judeu e perdeu o direito de exercer sua profissão. Sua esposa, Yvonne, passava o dia em busca de algum trabalho para alimentar a família. Os Jacobs passam a enfrentar a segregação cada vez maior decorrente das leis anti-judaicas.
Em novembro de 1942, Nice, como vimos acima, fica sob ocupação italiana. Apesar de aliada de Hitler, a Itália de Mussolini se recusava a entregar judeus aos nazistas, a despeito de repetidas exigências. Apesar do antissemitismo, a vida dos judeus melhorara. Simone e seus irmãos frequentavam a escola e participavam ativamente nas atividades do Escoteiros e das Bandeirantes. A situação em Nice, e em toda Riviera Francesa, mudaria em setembro de 1943, quando após a assinatura do armistício entre a Itália e os Aliados, as tropas italianas são forçadas a se retirar. Os alemães, sob o comando de Alois Brunner, ocupam a Côte d’Azur. Para os judeus, o perigo rondava cada esquina, pois para os nazistas, tornara-se uma questão de honra pôr um fim na vida judaica na Riviera.
Em março de 1944, então com 16 anos, Simone vivia com sua professora de letras, Madame de Villeroy. Usava o sobrenome Jacquiers numa tentativa de escapar às garras nazistas. No dia 30 desse mês, quando estava com amigos no centro da cidade comemorando o término dos exames de baccalauréat1,foi detida por dois alemães em trajes civis. Foi levada ao Hotel Excelsior, quartel-geral nazista e local de concentração dos judeus que seriam deportados. O restante da sua família, que, até então, vivia escondida na casa de amigos não judeus, é também preso pela Gestapo.
No dia 7 de abril de 1944, Simone, sua mãe e sua irmã Madeleine, foram enviadas para o campo de Drancy no comboio número 71, no qual estavam, também, Anne-Lise Stern e Marceline Rosenberg, que viriam a se tornar suas melhores amigas. De Drancy foram despachadas em trens de gado para Auschwitz-Birkenau, onde chegaram no dia 15 do mesmo mês. Seu pai e seu irmão Jean foram deportados para a Lituânia no comboio 73 e ela jamais os reviu.
Assim que chegou em Auschwitz, um prisioneiro que falava francês a alertou que ao ser interrogada pelos nazistas devia dizer que tinha mais de 18 anos, quem sabe assim ela conseguiria sobreviver à “seleção”.
Ela se torna o prisioneiro número 78651, tatuado em seu braço, e teria que “descarregar as pedras enormes que chegavam diariamente em caminhões e, com elas, aplainar o solo”. Poucos sobreviviam muito tempo a essa tarefa.
Uma prostituta que se tornara Kapo lhe salva a vida ao decidir transferi-la para um anexo de Auschwitz. Disse-lhe que ela era “muito bonita para morrer”. Simone disse que iria se mudar, na condição de que sua mãe e irmã Madaleine pudessem acompanhá-la, o que de fato aconteceu. Em julho de 1944, Simone com a mãe e a irmã Madeleine foram transferidas para Bobrek, perto de Birkenau. Nesse ínterim, sua irmã Denise, então com 19 anos, que fazia parte de um grupo da Resistência em Lyon, foi presa e, em 1944, deportada para Ravensbruck. Ela conseguiu sobreviver.
Em janeiro de 1945, pouco antes da libertação de Auschwitz pelas tropas soviéticas, ocorrida no dia 27, os nazistas evacuaram o campo e enviaram os prisioneiros a Bergen-Belsen, numa das chamadas “Marchas da Morte” durante as quais eles eram forçados a caminhar longas distâncias em direção à Alemanha, expostos ao frio extremo, sem roupas, comida, água ou descanso. Simone, sua mãe e sua irmã contam-se entre os poucos que sobreviveram. Ao chegar em Bergen-Belsen, Simone é indicada para trabalhar no refeitório. Sua mãe, muito enfraquecida, não conseguiu resistir e morreu de tifo, em março de 1945. Tanto Simone quanto a irmã Madeleine ainda estavam vivas quando os britânicos libertaram o campo, em 15 de abril de 1945.
Ao voltar para a França ela estava pronta para revelar o que era Auschwitz, os horrores vividos, mas tinha a impressão de que ninguém estava interessado em ouvir. Nunca esqueceu, no entanto, o tempo em que ficou presa nos campos nazistas e lutou para manter a viva a memória dos crimes nazistas. De 2001 até 2007 foi presidente da Fundação pela Memória da Shoá. Ao deixar o cargo, tornou-se Presidente de Honra. Em 22 de dezembro de 2004 aceitou retornar a Auschwitz, com seus cinco netos, a convite do diretor da revista Paris Match, Alain Genestar.
De volta à França
Simone chegou em Paris no dia 23 de maio de 1945. Assim como os outros sobreviventes teria que enfrentar o duro desafio de reconstruir a vida. Foi alojada no Hotel Lutetia, com outros sobreviventes dos campos, recebendo um documento de repatriamento, roupas e comida. Foi também informada de que havia sido aprovada nos exames de baccalauréat prestados antes de ser presa - a única de sua turma a passar.
Ainda em 1945, ela entra na Faculdade de Direito e no Instituto de Ciências Políticas de Paris. Em 1946, conheceu Antoine Veil, judeu, futuro Inspetor das Finanças e empresário, durante umas férias numa estação de esqui. Foi amor à primeira vista e Simone e Antoine se casam em 26 de outubro. Eles viveram juntos durante 67 anos, até o falecimento de Antoine, em 2013. O casal teve três filhos: Jean, advogado; Claude-Nicolas, médico, e Pierre François, advogado e presidente do Comitê Francês do Yad Vashem. Claude-Nicolas faleceu em 2002.
Em 1952, ela fica abalada por mais uma perda dolorosa. Sua irmã Madeleine morre com o filho Luc em um acidente de carro na estrada. Ela era a única pessoa com a qual podia falar sobre os anos passados nos campos.
Carreira em ascensão
Simone se muda por algum tempo para Wiesbaden e depois para Sttugart, em função da carreira de Antoine. Formada em Direito e em Ciências Políticas, ela revela ao marido que não quer desistir de uma carreira, como sua mãe fizera, para ser apenas dona de casa. Na época, apenas 40% das francesas trabalhavam e, ainda menos, no círculo da burguesia parisiense.
Decide entrar para a Magistratura, onde passa a ocupar cargos no alto escalão, até chegar ao Ministério da Justiça, de 1957 a 1959. Seu primeiro passo em direção à vida política foi participar do governo do primeiro-ministro René Pleven. Ela representou a França na Sociedade Internacional de Criminologia, em 1959, e se dedicou a lutar por reformas nas leis relativas à adoção, e a adultos com necessidades especiais. Indicada como assessora no Gabinete de Pleven, era encarregada do relacionamento com a imprensa e questões de leis civis e judiciárias.
Em 1970 foi indicada secretária do Conselho Superior de Magistratura. Seu trabalho foi reconhecido ao ser nomeada Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito e membro do Conselho da ORT da França e da Fundação da França.
Em maio de 1974, Valéry Giscard d’Estaing, presidente recém-eleito, a escolheu como ministra de Saúde no gabinete do primeiro-ministro Jacques Chirac. Durante seu mandato, Simone Veil conseguiu que fosse aprovada pelo Parlamento a “Lei Veil”, que descriminalizou na França a interrupção voluntária da gravidez. Na ocasião, Simone teve que enfrentar uma oposição particularmente dura da Direita. Alguns deputados chegaram a acusá-la de “apoiar o genocídio e de comportamento similar ao dos nazistas”. No Parlamento, proferiu um emocionante discurso em que revelou sua preocupação sobre os riscos enfrentados pelas mulheres que realizavam abortos clandestinos, cujo número aumentara drasticamente na França. O projeto de lei foi aprovado na íntegra e a “Lei Veil” entrou em vigor em 1975. Após esse famoso embate político, o jornal Nouvel Observateur concede-lhe o título de “Revelação do Ano”.
Em 1979, ela mesmo fumante, encabeça a luta contra o tabagismo no país, impondo serias restrições. Manteve até julho daquele ano a pasta da Saúde, quando abandonou o governo para participar, a pedido de Giscard d’Estaing, das eleições do Parlamento Europeu. Simone presidiu o Parlamento Europeu de 1979 até 1982, na primeira vez em que seus integrantes foram eleitos por sufrágio universal. Na época, o Parlamento tinha poucos poderes, mas Simone lhe deu visibilidade com sua atuação na área de direitos humanos.
Em março de 1980, recebe o Prêmio Athenae concedido pelo Fundo Aristóteles Onassis por sua contribuição para a reaproximação dos povos e pelo respeito à dignidade humana. Em 2005 é a vez do Prêmio Príncipe das Astúrias para a Cooperação Internacional.
Volta a ocupar um cargo no governo da França, em março de 1993, quando é nomeada ministra de Estado dos Assuntos Sociais, no governo de Édouard Balladur, onde permanece até julho de 1995. Foi membro do Conselho Constitucional entre 1998 e 2007.
Em 31 de outubro de 2007 publica a autobiografia “Uma vida”, traduzida para mais de 15 idiomas. Somente na França foram vendidos mais de 550 mil exemplares.
Em 2008, é eleita para uma cadeira na Academia Francesa de Letras, uma distinção rara entre os políticos do país. Sobre sua espada de Imortal, criada pelo escultor tcheco Ivan Theimer, foram gravados o número que lhe fora tatuado em Auschwitz – 78651 - e o lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” ao lado da expressão “in Varietate concordia”, unidos pela diversidade.
Após a morte de seu marido Antoine, em 2013, e de sua irmã Denise Vernayem, no mesmo ano, Simone se afasta da vida pública. Ainda assim, manteve-se no coração dos franceses. Em 2016 ainda aparecia nas pesquisas como a terceira personalidade preferida do país.
“Sou judia”
No artigo “Sou judia: o Kadish será recitado diante do meu túmulo”, Simone escreveu em 2005: “Nasci e cresci no seio de uma família francesa de longa data, fui francesa sem nenhum questionamento. Mas ser judia, o que isto significava tanto para mim quanto para meus pais, já que, ambos agnósticos – como já o tinham sido meus avós –, a religião estava totalmente ausente de nosso lar? Do meu pai pude aprender que sua ligação com o judaísmo estava mais relacionada ao conhecimento e à cultura que os judeus adquiriram ao longo dos séculos, em épocas em que muito poucos tinham acesso aos mesmos. Haviam permanecido como Povo do Livro, fossem quais fossem as perseguições, a miséria e a vida errante. Para minha mãe, o judaísmo era uma questão de um compromisso com valores com os quais, ao longo de sua longa e trágica história, os judeus jamais haviam deixado de lutar: a tolerância, o respeito dos direitos de cada um e de todos, a solidariedade. Ambos morreram no exílio, deixando-me como única herança os valores humanistas que, para eles, o judaísmo representava. Desta herança não me é possível dissociar as lembranças sempre presentes, de certa forma obsessiva, dos seis milhões de judeus exterminados pelo simples fato de serem judeus. Seis milhões dentre os quais meus pais, meu irmão e inúmeros familiares. Não posso me separar deles. Isto é suficiente para que, até a minha morte, meu judaísmo seja imprescritível.
O Kadish será recitado diante de meu túmulo. Sou judia”. Seus filhos atenderam sua vontade.
Simone faleceu em 30 de junho de 2017, sexta-feira, aos 89 anos, em sua residência em Paris. Segundo seu filho Pierre-François, a última palavra que pronunciou antes de morrer foi “obrigado”. Simone foi enterrada no Cemitério de Montpanasse, em Paris. Diante de seu túmulo, seus filhos Jean e Pierre-François recitaram o Kadish. A cerimônia fúnebre foi conduzida pelo grão-rabino da França, Haim Korsia. Foi muito simples, na presença apenas de pessoas muito próximas que ali foram para prestar sua última homenagem à uma mulher que, após ter passado os horrores dos campos de concentração nazistas, deixou sua marca pessoal na história e na política da França. Sobre ela o Journal Dimanche escreveu: “Numa época em que a política só inspira desconfiança, Simone Veil será sempre lembrada como um exemplo de coragem e dignidade tanto pela sua trajetória pessoal quanto profissional”.
BIBLIOGRAFIA
Veil, Simone e Black,Tamsin, A Life . Kindle edition
Deloeuvre, Guy, Simone Veil: Destin. Kindle edition
Jactance, Assoumou Ondo, Ce que serait devenue la femme française sans Simone Veil. Kindle edition

Padre "destrói" Silas Malafaia